terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sol de agosto e a dança

Em agosto, o sol de Belém continua brilhante. Pra quem pôde parar uns dias, hora de retomar o batente... Pra mim, também a retomada da dança de salão. Desejo aos meus amigos que se permitam descobrir a alegria feito corpo, que as danças trazem.

Racismo, superioridade e a nossa interdependência

Discursos racistas, de superioridade, anti-sociais, contra polítiticas distributivas de renda são próprios de quem nunca ou pouco passou necessidade na vida. De quem pensa que os privilégios que se tem são mérito. Mas, quem escolhe onde nasce? Esquecemos fácil que tudo que sem tem - dinheiro, saúde, oportunidades... - é graça. Portanto, o ter deve acompanhar-se de responsabilidade, de esforços para frutificar esse ter, é claro. Mas, sobretudo, de senso de gratidão e, portanto, de buscar o melhor uso dos talentos e haveres, para o bem maior. É como um "dever dos bens". Inclusive, porque tudo o que temos hoje, tudo que conhecemos, individual e coletivamente falando, é fruto do trabalho e do labor de tantos, gerações e gerações.
Nossa sociedade usa os bens para excluir. Em muitas situações, não ter dinheiro, é ser menor, cidadão inferior. Quantas sociedades, ao contrário, reconhecem nos bens a expressão da participação dos demais, fruto da divisão social do trabalho?

Estava ouvindo o discurso horroroso do Trump e me lembrei de uma mistura de Mauss, Malinowski, Marx (fetichismo da mercadoria), de alguns escritos do apóstolo Paulo chamando a atenção sobre nosso autoengano do mérito próprio e o esquecimento da graça, de que no fundo somos todos recebedores e, portanto, devedores. 

Bom Jesus das Selvas

Parada em Bom Jesus das Selvas, às margens da BR-222, em região que há pouco mais de quatro décadas abrigou a frente madeireira, depois pecuária, ampliada pelos grandes eixos rodoviários. Qual terá sido a motivação dos "pioneiros" ao dar esse nome ao novo lugar? O que viam e o que esperavam encontrar? Suas histórias estão nas muitas comunidades que fazem a diversidade sociocultural desse território.



Linha de trem e uma saudade

Um porto é uma saudade de pedra disse um poeta. Uma linha, então, é uma saudade de ferro...



Foto tirada na passagem de nível da EFC, defronte à Vila Francisco Romão, município de Buriticupu, Maranhão.


Chegando em Marabá junto com o minério, em 10 de agosto de 2016.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Redes sociais e vida pessoal

Nossa vida se faz sempre em uma teia de relações, pessoas com quem partilhamos o caminho. Mesmo quando a solidão parece se impor, não somos ilha, como já se disse. Cada dia que começa é possível pelo que tantos outros fizeram. Algumas presenças são duradouras, nossos afetos maiores, nossos amores. Outras são passageiras. Muitas, de maneiras imperceptíveis, ao cruzar nossa vida deixam frutos, ensinamentos, dádivas, bens cujo valor podemos nem perceber. Quanto todos devemos parte do que somos a tantos com quem interagimos, hoje, ontem, tempos atrás, talvez já esquecidos rostos, nomes...
Assim presto homenagem ao Professor Luís Carlos Silveira, que ontem partiu para a casa do Pai. Pesquisador de excelência na neurociência brasileira, deixa um legado valioso. Mas, quero que me referir a um episodio marcante nos meses em que usufruí da proximidade com ele. Meu ex-diretor, prestou-me solidariedade generosa em um momento difícil da vida, possibilitando-me prosseguir na trajetória profissional que escolhi. Um tempo curto e uma força influente. Obrigada Luís Carlos Silveira!

O milagre da dança

Meu amigo Válber Almeida referiu-se a  Ida Lenir Maria e a mim aqui no Face, a propósito de um vídeo que circula na net em que uma senhora de cabelos brancos, aparentemente franzina, dá um show de dança de salão em uma rua de uma grande cidade, com seu par. Vendo esse vídeo, agora que começo a experimentar a sensação da dança, tenho vontade de dizer que essa prática faz milagres. Na verdade, o que a dança faz é despertar forças que estão em nós. Descobrimos uma energia, uma empatia, uma musicalidade, uma sensualidade, uma capacidade de aprender, de adquirir uma nova cultura... O prazer que resulta dessa mistura é poderoso. Esse seria o milagre. Desvelar potencialidades. P.S.: Ainda preciso aprender muito! Como diz o professor Evandro Sales, todo mundo tem capacidade de dançar... Acredito cada vez mais nisso, mesmo se ainda tenho um bom caminho até parar de pisar no parceiro...

terça-feira, 26 de abril de 2016

Feminismo e valores cristãos

Feminismo não é ideologia de poder ou de destruiçao dos papeis sociais de mulheres e homens. É uma crítica a um dos tipos de desigualdade presentes em nossa sociedade: a desigualdade de gênero. É uma perspectiva de igualdade de oportunidades, de escolha e de influência na organização social. Não fosse essa crítica, mulheres não estariam hoje votando, trabalhando e cuidando das suas famílias, cada vez mais com o envolvimento genuíno dos companheiros homens. A valorização da paternidade como cuidado efetivo dos filhos pelos pais e mães, é parte desse projeto de igualdade social. Feminismo é, portanto, uma perspectiva de justiça e equidade. A influência da desigualdade de genero transparece, por exemplo, no reduzidissimo numero de mulheres no Congresso Nacional. Encontramos na vida de Jesus exemplos singulares de elevação da mulher, que ele deu muitas vezes, em um contexto histórico marcado pelo patriarcalismo, no qual a mulher era um ser de pouca importância e de poucos direitos. Já Maria em sua história, reverte nossa limitada lógica humana, que preza as hierarquias e o poder, não no sentido de serviço conforme aprendemos na última ceia do nosso Mestre. Para mim, então, feminismo não se opõe aos valores cristãos, ao contrário. Por outro lado, sei que feminismo é plural, com diferentes perspectivas. Mas, em todas as correntes ha um ponto comum: a busca de um mundo justo! E no qual os cuidados sejam valorizados e função de todos os humanos, independentemente do sexo.