segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Amor em pedaços

Quero dividir o que estou vivendo hoje, o que talvez seja comum a outros amantes na mesma condição, experiencias de mescla de liberdade, ousadia e ao mesmo tempo o maior auto controle possível... Racional com risco e aventura. Na verdade, com tão poucas experiências de amor, a gente tende a concentrar toda a sensibilidade em cada gesto, em cada manifestação de carinho, em cada toque, como se ele tivesse a profundidade do mar na fluidez de um momento. É assim no beijo, é assim no abraço, é assim no "passeio pela pele"... Tudo, apesar de breve, é sentido em sua intensidade que envolve a alma... E se cola na memoria ....
E a sensibilidade aguçada enxerga - não sei se com lente de aumento - o que é bonito, o que tem uma qualidade estética larga, a expressão do amor a dois... Se é um amor passageiro, andante ..... Sem adeus mas também sem planos, sem marcas temporais .... Essas plenitudes aumentam... E cada gesto do amor, enfim, adquire como que vida própria. São viagens em si, cada um, e a vontade é poder guardar de cada um a memoria , o gosto e o tato... Como apreender esses infinitos instantes? A arte ajuda. A poesia e a música. Eu já disse antes que o meu amor passageiro tinha consigo a arte do encontro... Um escultor da amada, disse a respeito dele. A música Dois Rios, do Skank me socorre no desenho que quero fazer desses encontros. Os lábios são dois rios inteiros, sem direção. Foi assim. Ainda bem que existem os artistas que tem esse saber da vida através da beleza.

Fim de um amor e nossas memórias

Coração partido por alguém dói... Um dia, uma hora, inevitavelmente se passa a segundo plano no coração de alguém. Melhor dizer quase, pois conheço "casos" que duram uma vida. Mas, chega a "hora da verdade", em que se perdeu o lugar especial no alguém que é caro, lugar no qual se tinha o direito de escutar uma voz e de sentir uma presença que levava direto a um "paraíso", pois descobria e desvelava belezas, momentos até difíceis de expressar em palavras. Talvez um caleidoscópio seja uma boa metáfora.
Como segurar a barra dos primeiros tempos de realidade? Encontros sempre valem a pena! Tentar fazer do que hoje é ferida, uma parte da construção de nós, que é nosso corpo e nossa memória. Se a cicatriz ficar meio torta, talvez importe menos. Uma casa é mais linda se enfeitada com lembranças de viagens. As viagens rumo aos outros, com os outros, que elevam por dentro e por fora, são sempre as melhores, as dos melhores souvenirs.

Nossa tolerância com a desigualdade



Conversando com um amigo me dei conta de como, seguindo a agenda da mídia, boa parte das pessoas pensa que a raiz dos nossos males está na corrupção. Esta é gravíssima, mas é mais conseqüência que causa. Perdemos - ou nunca tivemos - uma ética sobre que nível de desigualdade social tolerar. Distâncias abissais entre os mais ricos e os mais pobres, como convivemos com isso sem questionar a fundo? Não é um mal da natureza, mas conseqüência de escolhas individuais e coletivas. Corrigir os fossos entre os mais privilegiados e os mais desprovidos passa por decisões de redistribuição, de sentidos de solidariedade que baseiam a formulação de políticas públicas. Não se trata de alcançar uma sociedade com zero de desigualdade, mas do nível de desigualdades que aceitamos como justo.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sol de agosto e a dança

Em agosto, o sol de Belém continua brilhante. Pra quem pôde parar uns dias, hora de retomar o batente... Pra mim, também a retomada da dança de salão. Desejo aos meus amigos que se permitam descobrir a alegria feito corpo, que as danças trazem.

Racismo, superioridade e a nossa interdependência

Discursos racistas, de superioridade, anti-sociais, contra polítiticas distributivas de renda são próprios de quem nunca ou pouco passou necessidade na vida. De quem pensa que os privilégios que se tem são mérito. Mas, quem escolhe onde nasce? Esquecemos fácil que tudo que sem tem - dinheiro, saúde, oportunidades... - é graça. Portanto, o ter deve acompanhar-se de responsabilidade, de esforços para frutificar esse ter, é claro. Mas, sobretudo, de senso de gratidão e, portanto, de buscar o melhor uso dos talentos e haveres, para o bem maior. É como um "dever dos bens". Inclusive, porque tudo o que temos hoje, tudo que conhecemos, individual e coletivamente falando, é fruto do trabalho e do labor de tantos, gerações e gerações.
Nossa sociedade usa os bens para excluir. Em muitas situações, não ter dinheiro, é ser menor, cidadão inferior. Quantas sociedades, ao contrário, reconhecem nos bens a expressão da participação dos demais, fruto da divisão social do trabalho?

Estava ouvindo o discurso horroroso do Trump e me lembrei de uma mistura de Mauss, Malinowski, Marx (fetichismo da mercadoria), de alguns escritos do apóstolo Paulo chamando a atenção sobre nosso autoengano do mérito próprio e o esquecimento da graça, de que no fundo somos todos recebedores e, portanto, devedores. 

Bom Jesus das Selvas

Parada em Bom Jesus das Selvas, às margens da BR-222, em região que há pouco mais de quatro décadas abrigou a frente madeireira, depois pecuária, ampliada pelos grandes eixos rodoviários. Qual terá sido a motivação dos "pioneiros" ao dar esse nome ao novo lugar? O que viam e o que esperavam encontrar? Suas histórias estão nas muitas comunidades que fazem a diversidade sociocultural desse território.



Linha de trem e uma saudade

Um porto é uma saudade de pedra disse um poeta. Uma linha, então, é uma saudade de ferro...



Foto tirada na passagem de nível da EFC, defronte à Vila Francisco Romão, município de Buriticupu, Maranhão.


Chegando em Marabá junto com o minério, em 10 de agosto de 2016.