Um blog de reflexões sobre temas sociais, políticos e culturais da atualidade. Está aberto para compartilhar idéias.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Entardecer de cor
Visita ao balcão
Uma visita alada
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Para Belém
Dez meses já de semi confinamento
Vendo Belém desta janela
Descobri, privilégio das alturas,
Que o céu dessa cidade é lindo
E, mais ainda, mais ainda
Quando se põe o sol
Atrás das matas e dos rios
Cenas celestes multicores
Se desenham a solitários sonhadores.
Mirando no rumo do poente
Lá pra onde a cidade nasceu
Em fração infinitesimal de tempo
Penso escutar, penso enxergar
Os fundadores daquele novo mundo
405 anos atrás
Junto às dores dos que sucumbiram
Ao choque original dos povos.
Velha e jovem Belém do Grão-Pará
Falta prezar a morenice de suas gentes!
Seremos nós, passantes destes anos
Orgulhosos dos contatos e culturas
Que nos fizeram ser quem somos?
Se a muitos pouco e a poucos muito
Continuamos essa Belém dividida
Briguenta com suas águas e florestas
Distraídos sem querer trazer o céu
Pra refazer as muitas cores de sua terra!
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Ensina-me a mudar a lua
A fazê-la mudar de substância!
Quando estavas em minha alma, residente
A lua tinha outros sentidos.
Ela era luz suave
A cor exata do silêncio
A profundidade da calma.
Sua luz no canto do quarto
Me transportava, imediatamente,
A ti, a nós.
E eu vivia o privilégio dos amantes...
Esses seres sabiamente loucos
Que se embelezam ao se olharem um ao outro.
E então,
Cruzando as distâncias oceânicas,
Te tocava
Te acariciava.
Acesa em doçura,
A noite se tornava um poema.
Palavras de um coração alegre,
Ornado de esperanças e desejos.
E de projetos! E promessas!
Antes da inocência ir-se embora.
Hoje, em solidão
Devolvo-a, agradecida
Ela, a suave lua
A sua condição astronômica
Satélite natural do planeta
Mestre de todas as marés.
E, igualmente,
Farol dos pescadores,
Companheira dos marujos,
Conselheira das embarcações.
Ensina-me, ex-querido,
Destino passado das mais belas viagens
Alvo da felicidade que eu guardava
Cada vez que preparava as malas.
Ensina-me, ex-querido,
Professor das noites estreladas,
A despir a lua
De sua magia de ontem.
Ensina-me, então, meu ex-amigo
A apagar aquilo que eu lia na lua...
Tudo que nela eu via,
Via através de ti!
Paysages du ciel
Le ciel vu de ce balcon m’enchante
Au dessus d’un horizon fait de contrastes
Où ciel et terre semblent se contredire.
Des mille nuances aux crépuscules
Aux nuages de plomb avant les pluies
Encore lignes roses, violettes et bleues
Que je surprends lors des nuits blanches.
Comme des tableaux vivants
Dessinés quotidiennement
Et je me dis, est-ce que peut-être
On les râte un peu trop souvent?
On se fait tort de les laisser passer
Sans jouir leur sublimité
Comme des scéances d’après-midi manquées...
Les paysages du ciel auraient-elles le don
De nous parler de nous ici, en bas?
De nous saisir des paroles lointaines
Porteurs de vieilles sagesses?
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Crepúsculo de anteontem
Crépuscule d'avant-hier
Un spectacle se dessinait à l'horizon
Plénitude silencieuse

