Coração partido por alguém dói... Um dia, uma hora, inevitavelmente se passa a segundo plano no coração de alguém. Melhor dizer quase, pois conheço "casos" que duram uma vida. Mas, chega a "hora da verdade", em que se perdeu o lugar especial no alguém que é caro, lugar no qual se tinha o direito de escutar uma voz e de sentir uma presença que levava direto a um "paraíso", pois descobria e desvelava belezas, momentos até difíceis de expressar em palavras. Talvez um caleidoscópio seja uma boa metáfora.
Como segurar a barra dos primeiros tempos de realidade? Encontros sempre valem a pena! Tentar fazer do que hoje é ferida, uma parte da construção de nós, que é nosso corpo e nossa memória. Se a cicatriz ficar meio torta, talvez importe menos. Uma casa é mais linda se enfeitada com lembranças de viagens. As viagens rumo aos outros, com os outros, que elevam por dentro e por fora, são sempre as melhores, as dos melhores souvenirs.
Um blog de reflexões sobre temas sociais, políticos e culturais da atualidade. Está aberto para compartilhar idéias.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Nossa tolerância com a desigualdade
Conversando com um amigo me dei conta de como, seguindo a agenda da mídia, boa parte das pessoas pensa que a raiz dos nossos males está na corrupção. Esta é gravíssima, mas é mais conseqüência que causa. Perdemos - ou nunca tivemos - uma ética sobre que nível de desigualdade social tolerar. Distâncias abissais entre os mais ricos e os mais pobres, como convivemos com isso sem questionar a fundo? Não é um mal da natureza, mas conseqüência de escolhas individuais e coletivas. Corrigir os fossos entre os mais privilegiados e os mais desprovidos passa por decisões de redistribuição, de sentidos de solidariedade que baseiam a formulação de políticas públicas. Não se trata de alcançar uma sociedade com zero de desigualdade, mas do nível de desigualdades que aceitamos como justo.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Sol de agosto e a dança
Em agosto, o sol de Belém continua brilhante. Pra quem pôde parar uns dias, hora de retomar o batente... Pra mim, também a retomada da dança de salão. Desejo aos meus amigos que se permitam descobrir a alegria feito corpo, que as danças trazem.
Racismo, superioridade e a nossa interdependência
Discursos racistas, de superioridade, anti-sociais, contra polítiticas distributivas de renda são próprios de quem nunca ou pouco passou necessidade na vida. De quem pensa que os privilégios que se tem são mérito. Mas, quem escolhe onde nasce? Esquecemos fácil que tudo que sem tem - dinheiro, saúde, oportunidades... - é graça. Portanto, o ter deve acompanhar-se de responsabilidade, de esforços para frutificar esse ter, é claro. Mas, sobretudo, de senso de gratidão e, portanto, de buscar o melhor uso dos talentos e haveres, para o bem maior. É como um "dever dos bens". Inclusive, porque tudo o que temos hoje, tudo que conhecemos, individual e coletivamente falando, é fruto do trabalho e do labor de tantos, gerações e gerações.
Nossa sociedade usa os bens para excluir. Em muitas situações, não ter dinheiro, é ser menor, cidadão inferior. Quantas sociedades, ao contrário, reconhecem nos bens a expressão da participação dos demais, fruto da divisão social do trabalho?
Estava ouvindo o discurso horroroso do Trump e me lembrei de uma mistura de Mauss, Malinowski, Marx (fetichismo da mercadoria), de alguns escritos do apóstolo Paulo chamando a atenção sobre nosso autoengano do mérito próprio e o esquecimento da graça, de que no fundo somos todos recebedores e, portanto, devedores.
Nossa sociedade usa os bens para excluir. Em muitas situações, não ter dinheiro, é ser menor, cidadão inferior. Quantas sociedades, ao contrário, reconhecem nos bens a expressão da participação dos demais, fruto da divisão social do trabalho?
Estava ouvindo o discurso horroroso do Trump e me lembrei de uma mistura de Mauss, Malinowski, Marx (fetichismo da mercadoria), de alguns escritos do apóstolo Paulo chamando a atenção sobre nosso autoengano do mérito próprio e o esquecimento da graça, de que no fundo somos todos recebedores e, portanto, devedores.
Bom Jesus das Selvas
Parada em Bom Jesus das Selvas, às margens da BR-222, em região que há pouco mais de quatro décadas abrigou a frente madeireira, depois pecuária, ampliada pelos grandes eixos rodoviários. Qual terá sido a motivação dos "pioneiros" ao dar esse nome ao novo lugar? O que viam e o que esperavam encontrar? Suas histórias estão nas muitas comunidades que fazem a diversidade sociocultural desse território.
Linha de trem e uma saudade
Um porto é uma saudade de pedra disse um poeta. Uma linha, então, é uma saudade de ferro...
Foto tirada na passagem de nível da EFC, defronte à Vila Francisco Romão, município de Buriticupu, Maranhão.
Foto tirada na passagem de nível da EFC, defronte à Vila Francisco Romão, município de Buriticupu, Maranhão.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Redes sociais e vida pessoal
Nossa vida se faz sempre em uma teia de relações, pessoas com quem partilhamos o caminho. Mesmo quando a solidão parece se impor, não somos ilha, como já se disse. Cada dia que começa é possível pelo que tantos outros fizeram. Algumas presenças são duradouras, nossos afetos maiores, nossos amores. Outras são passageiras. Muitas, de maneiras imperceptíveis, ao cruzar nossa vida deixam frutos, ensinamentos, dádivas, bens cujo valor podemos nem perceber. Quanto todos devemos parte do que somos a tantos com quem interagimos, hoje, ontem, tempos atrás, talvez já esquecidos rostos, nomes...
Assim presto homenagem ao Professor Luís Carlos Silveira, que ontem partiu para a casa do Pai. Pesquisador de excelência na neurociência brasileira, deixa um legado valioso. Mas, quero que me referir a um episodio marcante nos meses em que usufruí da proximidade com ele. Meu ex-diretor, prestou-me solidariedade generosa em um momento difícil da vida, possibilitando-me prosseguir na trajetória profissional que escolhi. Um tempo curto e uma força influente. Obrigada Luís Carlos Silveira!
Assim presto homenagem ao Professor Luís Carlos Silveira, que ontem partiu para a casa do Pai. Pesquisador de excelência na neurociência brasileira, deixa um legado valioso. Mas, quero que me referir a um episodio marcante nos meses em que usufruí da proximidade com ele. Meu ex-diretor, prestou-me solidariedade generosa em um momento difícil da vida, possibilitando-me prosseguir na trajetória profissional que escolhi. Um tempo curto e uma força influente. Obrigada Luís Carlos Silveira!
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