Um blog de reflexões sobre temas sociais, políticos e culturais da atualidade. Está aberto para compartilhar idéias.
domingo, 14 de abril de 2019
Previdência e solidariedade social 3
Se o Brasil é uma unidade - por exemplo, Brasil acima de todos - temos
que agir em unidade! Pensar no conjunto! A nova previdência não pode ser
discutida só por quem tem meios e pouco precisa, quem se aposentou
cedo, tem muitos privilégios!! Sem sofrer na pele a carência é fácil
cortar despesa social! É duro ser pobre! Sobretudo na velhice! Se a
previdência é um pacto de solidariedade social, por que não incluir
ganhos financeiros nessa conta? Por que não diminuir os grandes
privilégios de certas categorias? Por que não taxar dividendos? Por que
não tributar com justiça grandes fortunas? Se o Brasil é para todos,
façamos nossas partes no sacrifício com grandeza de espírito! Muitos
estudos mostram outros cálculos para diminuir déficits A seguridade
social gera sobra de caixa que até paga parte dos juros da dívida do
governo! Então, por que só cortar fundo do lado de quem mais precisa? O
Brasil grande deve ter um padrão de vida digna para seus cidadãos.
Previdência e solidariedade social 2
O que é o Brasil? Um dos pilares de uma nação é seu regime de
previdência! Aqui, milhares de municípios têm nos benefícios
previdenciários uma renda crucial. Milhões de avós criam netos com suas
aposentadorias. Portadores de deficiência muito pobres não caem na
indigência pois têm BPC. Previdência é um pacto da sociedade, baseado na
solidariedade. Ela é o reconhecimento de nossa dependência mútua, do
valor dos trabalhos e habilidades de cada um. A reforma é uma grande
ocasião de repensar o Brasil. Cortar benefícios que em boa parte vão
irrigar juros bancários faz uma nação? Quanto os juros da dívida comem
de recursos sociais do país? Nas contas da reforma entra o projeto de
Brasil! E muito debate! A solidariedade nacional não está à mercê de
iluminados que pensam não precisar da saúde da coletividade.
Previdência e solidariedade social 1
Me perguntaram quantos remédios tomo por dia. Na sexta década de vida,
boa questão! E quanto custa? Vish! Mais uma vez, somos tolos de nos
deixar enganar por números na reforma da previdência. Números respondem
questões! A proposta do governo inclui as perguntas dos idosos? Dos
deficientes? Das mães pobres? Etc.? Facilmente um idoso gasta em
remédios o valor proposto para o BPC. Uma emenda constitucional que mexe
com o cerne da organização brasileira tem de ser informada pela
diversidade social que faz o país. Não sejamos burros! Sobretudo, não
egoístas! Os sistemas de seguridade social no mundo começaram a se
construir no início do século XX e derivam do conceito de solidariedade
social: os diferentes contribuem diferencialmente para o bem estar do
tecido social do qual todos dependem. Militares que cobram deferência à
bandeira, eleitores do "Brasil acima de tudo", essa sociedade precisa
ser praticada de modo inclusivo e generoso. Então, cartas na mesa,
debates amplos de propostas alternativas, senso de justiça,
informação...! Cotejo de propostas é mais do que necessário se Brasil
significa algo mais que propaganda. O envelhecimento da população é uma
conquista civilizatória, não problema contábil. Como vamos proceder? Com
inteligência, participação e lembrando das desigualdades que nos
assombram. Escrevo de um vigésimo andar nesta Belém chuvosa e o meu
vizinho ali da baixada está tentando comprar todas as doses dos remédios
da hora. A reforma da Previdência nos convida a construir a nação que
queremos. Nossos próximos entram na conta? O mercado pode substituir a
sociedade? Qual o equilíbrio? Lembrar sempre: quem está propondo a
reforma nunca precisou contar dinheiro antes de ir na farmácia!
Governo insensível
Tive a oportunidade extraordinária de morar em dois países: França e
Austrália. Em ambos a morte de um inocente com 80 tiros faria tremer as
bases do governo. Escândalo nacional!
Mil explicações, forte pressão social!! Já no Brasil que está à beira de
jogar seu maior patrimônio social pelo ralo, nem presidente, nem
governador mostram qualquer sentimento. Ministério da Justiça mudo!
Insensibilidade ao sofrimento é patológico. Não nos tornemos mais brutos
do que já somos. Lutemos por projetos de paz e de futuro com dignidade,
especialmente para os brasileiros mais diretamente expostos à
violência!
Jovens, política e Previdência social
Vivemos sombras do passado: amor por armas, por governos autoritários,
ódios étnicos, criticas a direitos humanos. A demonização da política é
uma das sombras. Política vem de pólis, cidade, bem público, gestão. O
conceito inclui a noção de "interesse pela coletividade" seja a cidade, a
nação, a região ou o mundo. É um "capital social". Para Jesus, o
conceito de poder era servir! Triste ouvir que jovens devem se
desinteressar de política! Exemplo: a
reforma da Previdência passará sem que a maioria tenha sequer
conhecimento de alternativas, críticas competentes aos números e à
própria existência do déficit. Quantos jovens sabem o que ela afeta suas
vidas? Quanta "alienação" reina entre nós? Se amássemos o bem público
ficávamos de olho nos debates. Previdência é custo? Não! É investimento
social de imenso retorno, pois mantém gente no mercado consumidor que,
sem os benefícios, cairia na pobreza. Decisões teriam mais chance de
acerto se validadas por cidadãos informados, atentos aos seus eleitos...
Política não é suja em si. Seus desvios se combate na esfera pública,
não nos bastidores. Aprender a debater, a ler, a se expor ao
contraditório, a liderar e ser liderado, são jóias para os jovens no
Brasil desigual e violento. A política pode ser meio poderosíssimo de
promover justiça social.
Um dos sentidos da Páscoa
Um dos sentidos da Páscoa é o compartilhar, uma das melhores
potencialidades do ser humano. Maior que a competitividade, do que a
busca do auto-interesse ou da própria
felicidade, ou da liberdade negativa (no sentido filosófico) com que nos
caracterizamos. Muitas culturas e religiosas ressaltam esse aspecto da
partilha. Um exemplo, na tradição cristã, está na Primeira Carta de João
(5, 1-6), lida hoje nas missas, que diz: "Todo o que crê que Jesus é o
Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também
aquele que dele nasceu". Essa é uma lição difícil de aprender: a
espiritualidade chama ao amor aos nossos próximos, aos nossos iguais, a
todos nós, independente de quem sejamos, ou de nossos "pecados". Chama,
portanto, ao que temos de melhor, dentre todas as nossas fraquezas.
sexta-feira, 8 de março de 2019
8 de março: lembrando Lídia e Paulo
O dia da mulher existe porque nosso mundo preza desigualdades e concebe o poder como domínio. Uma das faces é a desigualdade de gênero que, no Brasil, se expressa em discriminações e, notadamente, em violência contra mulheres. Há quem considere que a religião cristã avaliza certa inferioridade da mulher, a quem caberia sobretudo a esfera dos cuidados e a submissão ao marido. Se essa é a visão da religião, não é de modo algum a do Evangelho!Jesus aprofundou os propósitos do Criador que fez homens e mulheres na sua imagem. Capacitados foram, ambos, para cuidar do mundo, faze-lo frutificar e ter prosperidade. A opressão das mulheres desvirtua o maior conceito de poder que herdamos dessa tradição: poder é servir! Jesus não só ouviu mulheres, como também esteve com elas em momentos cruciais de sua caminhada, naquela sociedade patriarcal em que mulheres eram socialmente inferiores.
O Novo Testamento nos apresenta Lídia, comerciante de púrpuras que Paulo conheceu em Filipo e em cuja casa se hospedou. Ele a encontrou junto a um grupo de mulheres reunidas à beira de um rio. Esse grupo, liderado por Lídia, foi o berço da primeira igreja cristã que Paulo fundou na Europa!
De fato, há trechos das cartas paulinas com argumentos que soam estranhos do ponto de vista da igual dignidade de mulheres e homens, trechos sobre os quais há controvérsias de interpretação. Porém, o encontro com Lídia e seu lugar de honra na história primeira da Igreja na Europa, não deixam dúvidas da sua percepção de justiça social, e de gênero. Que o Espírito Santo nos ilumine com o discernimento de que toda opressão e toda injustiça nos diminui a todos. Mulheres e homens são co-partícipes da criação! Esquecemos o projeto original e vemos no outro, sobretudo na outra, objeto de nosso prazer, enfim, objeto de nossos próprios fins. Assim, comemorar o 8 de março é muito necessário! É preciso mostrar, criticar e educar para a igualdade. E lembrar que para as mulheres, muitas e muitas vezes a luta custou vidas, suores e lágrimas. O 8 de março se inscreve na utopia de sociedades justas e fraternas!!!
O Novo Testamento nos apresenta Lídia, comerciante de púrpuras que Paulo conheceu em Filipo e em cuja casa se hospedou. Ele a encontrou junto a um grupo de mulheres reunidas à beira de um rio. Esse grupo, liderado por Lídia, foi o berço da primeira igreja cristã que Paulo fundou na Europa!
De fato, há trechos das cartas paulinas com argumentos que soam estranhos do ponto de vista da igual dignidade de mulheres e homens, trechos sobre os quais há controvérsias de interpretação. Porém, o encontro com Lídia e seu lugar de honra na história primeira da Igreja na Europa, não deixam dúvidas da sua percepção de justiça social, e de gênero. Que o Espírito Santo nos ilumine com o discernimento de que toda opressão e toda injustiça nos diminui a todos. Mulheres e homens são co-partícipes da criação! Esquecemos o projeto original e vemos no outro, sobretudo na outra, objeto de nosso prazer, enfim, objeto de nossos próprios fins. Assim, comemorar o 8 de março é muito necessário! É preciso mostrar, criticar e educar para a igualdade. E lembrar que para as mulheres, muitas e muitas vezes a luta custou vidas, suores e lágrimas. O 8 de março se inscreve na utopia de sociedades justas e fraternas!!!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Migrações nos enriquecem com as diferenças
O
que seria São Paulo sem os italianos, japoneses, sírio-libaneses e
tantos outros? A agricultura do Pará sem os japoneses? ... O que seria o
Brasil sem tanta contribuição estrangeira? E o que será dos cidadãos
brasileiros vivendo em outros países, tantos, com a saída do Brasil do
acordo internacional sobre migrações, no quadro da ONU? O documento traz
recomendações, não obrigações, para uma melhor gestão das migrações no
mundo. Todos nós que temos no sangue e, muitas vezes no nome, marcas
estrangeiras, temos obrigação de analisar o tema das migrações, em
princípio, com reconhecimento e solidariedade. O que o Brasil ganha? E o
que perde? A sociedade brasileira trata bem seus nacionais? Orgulha-se
de seus indígenas? Tratar o tema com divisionismo e ressentimento é
lamentável.
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