terça-feira, 16 de agosto de 2016

Bom Jesus das Selvas

Parada em Bom Jesus das Selvas, às margens da BR-222, em região que há pouco mais de quatro décadas abrigou a frente madeireira, depois pecuária, ampliada pelos grandes eixos rodoviários. Qual terá sido a motivação dos "pioneiros" ao dar esse nome ao novo lugar? O que viam e o que esperavam encontrar? Suas histórias estão nas muitas comunidades que fazem a diversidade sociocultural desse território.



Linha de trem e uma saudade

Um porto é uma saudade de pedra disse um poeta. Uma linha, então, é uma saudade de ferro...



Foto tirada na passagem de nível da EFC, defronte à Vila Francisco Romão, município de Buriticupu, Maranhão.


Chegando em Marabá junto com o minério, em 10 de agosto de 2016.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Redes sociais e vida pessoal

Nossa vida se faz sempre em uma teia de relações, pessoas com quem partilhamos o caminho. Mesmo quando a solidão parece se impor, não somos ilha, como já se disse. Cada dia que começa é possível pelo que tantos outros fizeram. Algumas presenças são duradouras, nossos afetos maiores, nossos amores. Outras são passageiras. Muitas, de maneiras imperceptíveis, ao cruzar nossa vida deixam frutos, ensinamentos, dádivas, bens cujo valor podemos nem perceber. Quanto todos devemos parte do que somos a tantos com quem interagimos, hoje, ontem, tempos atrás, talvez já esquecidos rostos, nomes...
Assim presto homenagem ao Professor Luís Carlos Silveira, que ontem partiu para a casa do Pai. Pesquisador de excelência na neurociência brasileira, deixa um legado valioso. Mas, quero que me referir a um episodio marcante nos meses em que usufruí da proximidade com ele. Meu ex-diretor, prestou-me solidariedade generosa em um momento difícil da vida, possibilitando-me prosseguir na trajetória profissional que escolhi. Um tempo curto e uma força influente. Obrigada Luís Carlos Silveira!

O milagre da dança

Meu amigo Válber Almeida referiu-se a  Ida Lenir Maria e a mim aqui no Face, a propósito de um vídeo que circula na net em que uma senhora de cabelos brancos, aparentemente franzina, dá um show de dança de salão em uma rua de uma grande cidade, com seu par. Vendo esse vídeo, agora que começo a experimentar a sensação da dança, tenho vontade de dizer que essa prática faz milagres. Na verdade, o que a dança faz é despertar forças que estão em nós. Descobrimos uma energia, uma empatia, uma musicalidade, uma sensualidade, uma capacidade de aprender, de adquirir uma nova cultura... O prazer que resulta dessa mistura é poderoso. Esse seria o milagre. Desvelar potencialidades. P.S.: Ainda preciso aprender muito! Como diz o professor Evandro Sales, todo mundo tem capacidade de dançar... Acredito cada vez mais nisso, mesmo se ainda tenho um bom caminho até parar de pisar no parceiro...

terça-feira, 26 de abril de 2016

Feminismo e valores cristãos

Feminismo não é ideologia de poder ou de destruiçao dos papeis sociais de mulheres e homens. É uma crítica a um dos tipos de desigualdade presentes em nossa sociedade: a desigualdade de gênero. É uma perspectiva de igualdade de oportunidades, de escolha e de influência na organização social. Não fosse essa crítica, mulheres não estariam hoje votando, trabalhando e cuidando das suas famílias, cada vez mais com o envolvimento genuíno dos companheiros homens. A valorização da paternidade como cuidado efetivo dos filhos pelos pais e mães, é parte desse projeto de igualdade social. Feminismo é, portanto, uma perspectiva de justiça e equidade. A influência da desigualdade de genero transparece, por exemplo, no reduzidissimo numero de mulheres no Congresso Nacional. Encontramos na vida de Jesus exemplos singulares de elevação da mulher, que ele deu muitas vezes, em um contexto histórico marcado pelo patriarcalismo, no qual a mulher era um ser de pouca importância e de poucos direitos. Já Maria em sua história, reverte nossa limitada lógica humana, que preza as hierarquias e o poder, não no sentido de serviço conforme aprendemos na última ceia do nosso Mestre. Para mim, então, feminismo não se opõe aos valores cristãos, ao contrário. Por outro lado, sei que feminismo é plural, com diferentes perspectivas. Mas, em todas as correntes ha um ponto comum: a busca de um mundo justo! E no qual os cuidados sejam valorizados e função de todos os humanos, independentemente do sexo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Diversidade dos nossos dons e bem coletivo

No meu entender, limitado portanto, uma das mensagens da segunda leitura das missas deste domingo é um elogio à diversidade de crenças e culturas e um reconhecimento dos distintos trabalhos, dons com que contribuímos para o bem comum. Eis um pequeno trecho: "Há uma diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Ha diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum..." (1Cor 12,14/11). Então, essa antiga carta guarda lições cheias de frescor. É uma pena que tanto se critiquem as religiões como formas de sujeição ideológica, e muitas vezes o são, pois podem ser manipuladas... Mas, nas suas fontes estão balizas de nossa história, pontos altos de nossas civilizações. São leituras da condição humana, sobre quem somos e quem podemos ser, interpretações que vão além das nossas misérias objetivas e classificações, por exemplo, de ricos e pobres, homens e mulheres, nascidos em um ou outro país, analfabetos ou letrados, negros e brancos, tradicionais ou modernos, praticantes da religião A ou B etc. Ser todos dotados de dons pelo Espírito maior, e dons exercidos para o bem comum, como diz a Carta aos Coríntios, não é pouco! Nos obriga no mínimo ao respeito mútuo, nos compromete ao cuidado pessoal e coletivo e nos convida a reconhecer a graça que recebemos, independente de nossos méritos, ou posição social. Um texto como esse, portanto, traz um conhecimento profundo de nós mesmos e das sociedades que construímos. Além de conhecimento, é chamado à ação e a viver a vocação com tudo o que ela representa em compromisso com o próximo. Nessa perspectiva, então, o que existe não esgota o real, muito pelo contrário.
Não me arvoro a conhecedora da religião que professo - e muito menos sou praticante fiel (quem dera!) - mas queria dividir esta impressão da leitura de Paulo, um mestre que há dois milênios tem muito a nos dizer.

Esquecimento do passado, perdão e vida nova, em narrativas do Evangelho


A leitura de ontem (da liturgia católica) refere-se a uma das mais belas páginas dos Evangelhos. Traz a Palavra sobre a mulher adúltera que, pela lei, se deveria apedrejar - e que Ele não condenou - contrapondo-se assim à lógica humana. Esse episódio, juntamente com aquele sobre a atitude do pai que recebeu o filho pródigo com imensa alegria, independente do que tenha feito enquanto esteve longe, tem muito significado hoje. O Mestre indica o que é nossa tendência profunda: o amor, o perdão e a plena consciência de nossa condição igual de filhos, filhas, irmãos, em uma vida que vai além desta. Conscientes de nossas fragilidades comuns, mas ao mesmo tempo, de nossa grandeza. Todos temos grandezas. Além disso, somos chamados a esquecer o passado, a olhar para a frente, a perdoar a si e aos outros, porque a vida nova se abre a todo instante. Vida nova nessa perspectiva, liberta das mesquinhezas humanas, inscritas na nossa lógica cotidiana. No caso da adúltera, faríamos a condenação, talvez inclusive chamando o homem adúltero para tornar equitativa a pena. No caso do filho pródigo, iríamos primeiro condena-lo por seus erros, ainda que o acolhendo com alegria. Jesus considerou o pecado, mas amou a pessoa. Não castigou. Não castiga. E castigos, cabem a Deus, como lhe aprouver, não a nós! O que a experiência narrada nos Evangelhos mostra é o perdão, o amor. 

Também fez parte das leituras de hoje, esse trecho de Paulo, a reforçar também a novidade dessa forma de sentir, pensar e agir. Diz ele: Irmãos, eu não julgo tê-lo alcançado [a Cristo]. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente... (Filipenses 3, 13-14). 
Ao compartilhar esta reflexão da leitura de hoje, não pretendo fazer proselitismo, ou me considerar à altura daquela sabedoria mais que milenar. Jamais. Nunca. É só para dividir mesmo e convidar a folhear aquelas páginas cuja mensagem ainda fala ao coração, chamando por mudança, por tolerância, por respeito às pessoas em suas diferenças e integridade. Independente de qual seja nossa fé, ou falta de fé, eu acho que essas páginas são uma fonte de conhecimento do que somos e do que podemos vir a ser, como pessoas, como comunidades, como sociedade. 
O que somos se manifesta, por exemplo, no drama dos imigrantes que os países europeus hoje não querem, que as leis vedam a entrada. Como o Mestre - e mestres de outras denominações religiosas - agiria nesse caso? E em tantos outros casos nos quais nos relacionamos como estranhos. Ainda não aprendemos com aquele samaritano justo - vejam só, membro de um grupo étnico desvalorizado socialmente na época - ele que verdadeiramente acolheu o próximo que havia sido assaltado...