segunda-feira, 23 de maio de 2022

Domingo à noite, entregadores ciclistas

Domingo à noite chuvoso, dirigindo da Cidade Velha à Pedreira, acho que cruzei uns vinte jovens de bicicleta, entregadores, caixas de food às costas. Quanto renderá tal esforço, que liga fornecedores e consumidores, as pontas da cidade e do mercado, tendo como seu "capital" a saúde, estressada na labuta em condições como as de hoje? Quantos lares fecharam seu domingo com uma pizza, um sorvete, uma breja, um refri, trazidos a pedaladas molhadas?
O que significa esse trabalho cada vez mais frequente a tantos jovens? Quais seus sonhos? Fácil supor. Os de todo mundo, um lugar ao sol, um trabalho digno, um futuro!
Mas, passar por ocupações precárias, mal cobertas por direitos, mil léguas de distância das condições de seus clientes, ou da maior parte deles... é caminho viável?
Podemos nos orgulhar da sociedade e da economia que reserva a tantos jovens esse tipo de emprego? Enquanto isso, apoiamos com leveza de espírito a derrocada de sistemas de proteção social que foram construídos com base em alguma ideia de solidariedade: legislação do trabalho, previdência e assistência social, ensino público de qualidade! Este não é um caminho de prosperidade. Não qualificamos os jovens para o país que podemos ser! Desenvolvido e rico! Ao contrário!

domingo, 16 de janeiro de 2022

Belém ao por do sol

 Belém ao por do sol

Seu céu risonho
No horizonte
As águas do Guajará
Emolduram a várzea
Seus quatro séculos
A convidar
Desvendar seus cursos
Revelar suas gentes
Desde o início presentes
Seus saberes, sofreres
Alegrias e esperanças
De cidade igualitária
Casa inclusiva
Encontro de cultura,
Geografia e história
Com os desejos sonhados
Pra "terra sem males"
Pra todos!

Sur les rencontres humaines

Sans savoir ni depuis quand

Ni le pourquoi

De ne se sentir jamais à l’aise

Parmi les gens, entre les groupes

Elle a ainsi traversé

Bien des années de sa jeunesse

 

Un brin de tristesse

Un bout de nostalgie

Lui rendent visite

Aujourdhui

 

Les rencontres de hasard

Moments de pure sociabilité 

Il lui fallait les fuir

À contrecoeur

Au lieu d’en jouir



Les voyages entre écoliers

Les fêtes de quartier

les “coffee breaks”

les “happy hours”

Toujours le souci qu’un interlocuteur quelconque

Ne lise les faiblesses

Et les vides d’âme

Qu’elle s'attribuait

 

Pourtant

Qu’est-ce qu’elle aurait aimé les rencontres

Les contacts, les échanges, les liaisons

Éprouver un chez soi parmi les gens

Rire ensemble

Bavarder sans devoir

De tout cela elle rêvait et l'associait

Au vrai bonheur

 

Avec le temps

Plus généreuse envers soi-même, envers les autres aussi

Elle veut apprendre aux jeunes

L'insignifiance

De la peur d'autrui

La richesse de l'amour

Et des rencontres humaines!

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Linhas no céu

 Hoje no céu

Nuvens pareciam linhas
À espera de palavras
Havia outras
Quase pássaros
Convidando os poetas, os amantes
Os solitários
Os distraídos passantes
A escreverem no alto
O que o coração guarda...
Pode ser uma imagem de nuvem e natureza

Ruma minha canoa...

Ruma minha canoa, às águas do rio-mar!

Na proa, os sonhos são companhia
No embalo da maresia
Da popa, se afasta a cidade
E em meu coração marinheiro
Já se avizinha a saudade!


Sous la brume

 Le soleil pâle s'en va sous la brume

De cet après-midi pluvieux à Belém
L’image me rappelle d'autres soleils...
Combien d'amours se sont perdus
Et des passions disparues
Sous les brumes des mésententes?
Même des guerres se sont déclarées...
Suite à des silences successifs
Silences avides de mots
Qui ne furent pas dits?
Pourtant,
Si l'amour brilla un jour comme un soleil
Sa lumière subsiste encore fugace
Quelque part au fond du coeur
...
Aux amis qui sont poètes
Voici mon poème sans rime
À vous qui maîtrisez l'art
De lire dans les paysages
La géographie de l'âme.
Pode ser uma imagem de neblina, crepúsculo e céu

Lua na tarde

 A lua chegou ainda de tarde

As nuvens se aproximaram
E propuseram um trato:
Oferecer à cidade
Uma aquarela de luz!



Convite do por-do-sol

 

Detrás do entardecer nublado
Já não se esperava mais luzes
Nem cores, antes da noite
Eis que o sol mandou um presente
Um desenho no horizonte.
Nem precisava mais brilhar por hoje
Já iluminava outras terras...
Quis, porém, pintar Belém
Fazer da boca da noite
Um convite à bem-querência!